Anjos feridos

Anjos feridos

Kauany Sousa

Ultimamente  o assunto nos meios de comunicação é a Baleia Azul. Um jogo que provoca adolescentes e jovens a praticarem atos até  a morte. Talvez a maioria das pessoas perguntam como isso pode acontecer.  Porque tantos jovens que tem um certo conhecimento praticam atos que podem tirar a própria vida.  A resposta é simples,  eles não  têm vida, é como eles se sentem.  Vivem em um mundo isolado e destruído pela depressão.  Jovens assim precisam de alguém  que os levante,  que os ajudem a dizer não.  Não  é “falta de peia” ou “manha”. É um problema sério  que deve ser tratado.

Antes mesmo que viesse a tona o jogo da baleia azul,  sempre houve jovens assim,  é que a sociedade muitas vezes fecha os olhos,  e só  enxerga quando a fama mundial acontece.  Tenho certeza que sempre existiu muitos jovens que se suicidaram,  que se automutilam,  sem precisar de um jogo.  O jogo na verdade é a vida sem graça  que eles se dizem viver.

Conversei com um jovem que passou por momentos difíceis. A entrevista e declarações a baixo são  verídicas e tem como objetivo principal despertar pais de jovens,  como também  mostrar que muitos precisam de ajuda. Vou chama-lo de Paulo.

Ele inicia dizendo que  começou  a se automutilar na primeira série do ensino médio com aproximadamente 16 anos e ficou mais de 2 anos praticando. Pergunto qual o motivo que levou a essa prática. Me responde que existiam vários mas o principal foi a falta de aceitação da opção sexual por parte familiar. Paulo me revela outro detalhe muito forte para as escolhas dele. Diz que um homem da família tentou estrupa-lo por várias vezes isso o deixou distante de tudo e de todos, ele ficou muito abalado e depressivo.

Paulo viu uma amiga praticando automutilação com agulhas.  Ela falava e mostrava para ele como fazia. Paulo teve a curiosidade de saber qual a sensação de se cortar, a amiga respondeu que os cortes deixava ela aliviada. Foi assim que o jovem começou a praticar a automutilação pra tentar aliviar toda aquela dor e aquele sofrimento que se passava dentro dele. “Comecei a me cortar com Gillettes, comecei com cortes rasos, mas aqueles já não eram mais suficiente e então comecei a aprofundar e aquilo de alguma forma que eu não sei explicar era uma coisa boa e que me deixava aliviado de certa forma, uma sensação que não consigo descrever bem mais era muito prazeroso, no começo eu fiz muito no meu braço, mais ouve muito julgamento errado, ninguém sabia o que se passava aqui dentro e diziam que isso era pra chamar atenção e que era sem graça, então eu praticava mais e mais”

A fala do jovem reflete a realidade de muitos outros, quantas pessoas falam,  jugam e apontam por não  saber o que se passa.  Não  seria melhor procurar conversar e ajuda-los. Paulo se autodescreve como um anjo que se fere.  Ele conta que aqueles que praticam a automutilação são  pessoas que se sentem vazias,  por um motivo ou por outro, que só pensam em morrer. São pessoas solitárias e depressivas e que procuram apenas colocar esses sentimentos ruins para fora.

Depois de muitos conselhos e muita luta ele conseguiu se livrar desse vício, isso mesmo, ele descreve como um vício. Conta que aos poucos parou porque sabia que era para o bem da saúde e para preserva a vida. Paulo diz que apesar de não ser tão próximo da família pensou neles também. Tentou sair do vício, mas infelizmente tudo voltou na mente, os mesmos pensamentos, a vontade de fazer tudo de novo,  mas não  queria, foi ai que para aliviar a dor interna buscou outros meios “comecei o uso de drogas alucinógenas como(bala, doce e md) aquilo era um novo mundo e muito viciante, drogas que não são pra ter o uso diário, então aquilo me deixava muito aliviado e muito de boa e também vieram novos problemas termino de relacionamento, pessoas como eu se tornam muito frágeis e tudo nos machuca, tudo nos quebra, atualmente não uso como antes mais ainda sim utilizo quando estou um pouco triste, fiz algumas terapias hoje sou mais calmo, mas não nego que ainda utilizo mas com mais moderação, já faz 3 anos de drogas e literalmente hoje eu sinto na pele o quanto é difícil se livrar, mas nada é impossível. Quando me vejo no espelho com essas marcas, me vejo muito forte e guerreiro por ter passado por tudo que passei e estar aqui dando o testemunho não só a você e sim as pessoas que também praticam a automutilação. Não passa mais pela minha cabeça praticar o ato, já me feri bastante e ferrei meu psicológico e também deixei muita gente triste ao meu redor e não quero mais causar dor e sofrimento a mais ninguém nem a mim mesmo”.

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O jargão “Enxada Neles” foi criado por Ademir Santos, apresentador da TV Alterosa/SBT – Sul e Sudoeste de Minas Gerais, idealizador do Portal Enxada Neles. Ademir começou a usar esse jargão na TV como uma forma de desabafo diante das injustiças sociais que apresenta diariamente. A “enxada” representa o valor do trabalho sério e árduo de uma pessoa na busca de suas conquistas, pelo seu esforço e honestidade.Desta forma, de um modo geral e simbólico, é um símbolo do trabalho. A frase caiu no gosto popular e virou a “marca registrada” de Ademir Santos. No Portal Enxada Neles você ficará sempre bem informado sobre as principais notícias do Sul e Sudoeste de Minas Gerais, além do Brasil e do Mundo. Enxada Neles é o seu novo portal de notícias na internet!

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