Chapeu de trouxa é marreta – Ou cadeia.

Chapeu de trouxa é marreta – Ou cadeia.

Antonio Calabria

“Esse Joesley, coitado, é um idiota útil e até hoje não entendeu. Cheio de si, alega que conhece e se adapta bem ao “sistema”. Não percebeu, coitado, que foi apenas usado por esse “sistema”. Que foi uma criação do tal “sistema”. O “fenômeno” Joesley – que apareceu do nada e meteoricamente se transformou num dos homens mais ricos do Brasil – foi criado nos anos Lula à custa de dinheiro do BNDES. Não percebeu, o pobre coitado, que estava sendo transformado apenas num operador. Um doleiro de luxo.
Casou com a moça bonita da televisão, viveu um período de opulência e glamour, porque precisavam colocá-lo numa posição acima de qualquer suspeita. Mas o “sistema” estava ali, o tempo todo, de olho nele. Estavam engordando o porco para depois devorá-lo.
O “sistema”, neste caso, é uma seleção de políticos traiçoeiros que são donos do Brasil há anos.Os caciques. O “sistema” é suprapartidário. Todos eles sabiam que um imbecil feito o Joesley seria importante em algum momento. O sujeito se transformou numa caderneta de poupança desses políticos e partidos.
Precisa ajudar o Lulinha?
Chama o Joesley.
Precisa de dinheiro para a campanha de fulano?
Chama o Joesley.
Precisa calar a boca do Cunha?
Chama o Joesley.
Precisa pagar o advogado do Aécio?
Chama o Joesley.
Joesley era um caixa eletrônico ambulante de políticos e partidos, recheado de dinheiro nosso – seu e meu – desviado para inflar suas empresas. Joesley, que se julga malandro, foi o otário de plantão para os políticos da velha guarda. Esses sim, ratazanas experientes. Um malandro de verdade não teria caído nesse conto.
Joesley só percebeu que era o mais trouxa de todos no começo desse ano, quando a corda começou a ruir para o seu lado. Justo ele, que se imaginava amigo do rei, acima do bem e do mal, com acesso a toda essa “gente importante” que jamais teria conhecido.
Joesley é um deslumbrado. O tempo todo fala de suas reuniões com os políticos como se fosse um igual. Se gaba da Ticiana, deslumbrado que também está de casar com uma sub-celebridade.
Joesley é isso!
Um ignorante, um trouxa, um deslumbrado que foi usado pelos políticos experientes até que percebeu que o “sistema” o tinha expurgado. Aí começou a gravar tudo. Até o Temer. Saiu com seu gravador vagabundo tentando se munir de provas que pudessem ser negociadas.
Foi então que encontrou o Janot. Janot sabia que tinha os dias contados na PGR. E sabia quem era o verdadeiro Joesley. Sabia que poderia sair da PGR como o homem que derrubou a República. Era só fazer Joesley falar e mostrar suas gravações. Então fechou aquele acordo de delação premiada de pai para filho.
Joesley abriria o jogo e sairia livre. Joesley, claro, acreditou. Afinal era o amigo do rei, o “sistema” veio salvá-lo, pensou. Janot só não sabia de duas coisas:
1. Joesley não tem competência para incriminar ninguém. Ao contrário. Só ele se queima, porque o “sistema” é mais esperto. Nem comprar gravador ele sabe. Então o acordo acabou não servindo para nada, a não ser expor a estratégia de Janot e a safadeza de Joesley.
2. Que o “sistema” está, também, acima dele (Janot) e já havia corrompido até seu braço direito, Marcelo Miller, que já operava ao lado de Joesley.
O “sistema” é mais poderoso que Janot, Joesley, você e eu. O “sistema” ferrou o Joesley, o Janot e o Marcelo Miller. E está aos poucos esvaziando a Lava Jato.
Mas isso a gente sabia.E talvez justamente por isso a gente não bate mais panelas nem sai as ruas.
Inconscientemente aprendemos que somos todos Joesleys: trouxas que o “sistema” utiliza nas eleições e depois dispensa.
Só não ficamos ricos, nem casamos com a Ticiana.”

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O jargão “Enxada Neles” foi criado por Ademir Santos, apresentador da TV Alterosa/SBT – Sul e Sudoeste de Minas Gerais, idealizador do Portal Enxada Neles. Ademir começou a usar esse jargão na TV como uma forma de desabafo diante das injustiças sociais que apresenta diariamente. A “enxada” representa o valor do trabalho sério e árduo de uma pessoa na busca de suas conquistas, pelo seu esforço e honestidade.Desta forma, de um modo geral e simbólico, é um símbolo do trabalho. A frase caiu no gosto popular e virou a “marca registrada” de Ademir Santos. No Portal Enxada Neles você ficará sempre bem informado sobre as principais notícias do Sul e Sudoeste de Minas Gerais, além do Brasil e do Mundo. Enxada Neles é o seu novo portal de notícias na internet!

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