Crença milenar, xamanismo atrai adeptos no Brasil

Crença milenar, xamanismo atrai adeptos no Brasil

A prática espiritual mais antiga da humanidade começou no paleolítico; saiba mais!

O xamanismo teve origem na região da Sibéria e se difundiu para regiões como China, África e Américas. Nos anos 70, as tradições xamânicas ganharam forças na Europa e EUA, junto com os movimentos ecológicos. O lançamento do livro “A Erva do Diabo”, do antropólogo Carlos Castaneda, considerado um marco para o neo-xamanismo, tornou-se um best seller e logo atraiu parte da cultura hippie. No Brasil, as práticas xamânicas foram introduzidas com a chegada dos primeiros povos indígenas há 40.000 anos.

A prática atrai, hoje, um público diversificado, formado por médicos, donas de casa, psicólogos, espiritualistas e pessoas como a pedagoga Juliane Soares. “No início tive preconceitos, não é fácil aceitar outras referências espirituais, pois tenho raízes numa educação nos padrões católicos. Hoje vejo o mundo de outra forma”, diz. Já o estudante de filosofia Rodrigo Cintra descobriu a prática em uma revista de grande circulação. “Lembro que fui despertado para o xamanismo, atualmente posso dizer que o vazio que sentia foi preenchido. Saber que somos filhos da Mãe-Terra é confortante”, finaliza. Muitos estudiosos e praticantes do xamanismo admitem que a explicação para o crescimento da filosofia xamânica vai de encontro com a necessidade de reduzir a materialização do mundo moderno.

Além disso, o xamanismo não é definido como uma religião, com uma doutrina espiritual guiada por um líder, como o cristianismo. Contudo, o xamã é entendido como uma presença importante, com se fosse o intermediário do mundo espiritual, natureza e sociedade. Quem segue o xamanismo costuma dizer que se trata de um “conjunto de crenças ancestrais”.

 

Índio norte-americano

Índio norte-americano

Ayahuasca: a bebida dos rituais

A ayahuasca, bebida feita a partir de plantas nativas da floresta amazônica, ficou conhecida na mídia através das celebrações do Santo Daime, considerado a “Doutrina Xamânica das Florestas Brasileiras”. O Daime teve início com o encontro de Raimundo Irineu, conhecido como Mestre Irineu, e um xamã peruano, durante um ritual com utilização da bebida.

Críticos afirmam que a ayahuasca provoca alucinações e mal-estar. Em entrevista divulgada pela ABEAD (Associação Brasileira do Estudo do Álcool e outras Drogas), o psiquiatra Carlos José Renault Filho comenta que a bebida não pode ser considerada uma droga que gera dependência, pois há uma busca individual de nível “subjetivo e religioso”. Contudo, o psiquiatra alerta para a utilização da bebida junto com outras substâncias, o que na opinião do especialista traria “consequências negativas”.

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Letícia Veloso

Jornalista, com experiência como redatora web, repórter de internet e TV, apresentadora e locutora.

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