E o povo mais uma vez para a conta

E o povo mais uma vez para a conta

Antonio Calabria com Cristovam Buarque

O Congresso Nacional se prepara para saltar da responsável aprovação do teto
nos gastos públicos para a irresponsável aprovação do desvio de R$ 3,6
bilhões, com o objetivo de financiar as campanhas eleitorais de 2018. Um dia,
preocupado, o povo assiste o presidente da República dizer que o Brasil sofre a
falência dos serviços públicos por falta de dinheiro; no outro, perplexo, assiste
que haverá dinheiro para financiar campanha milionária: R$ 2 milhões por
candidato eleito – deputados federais e estaduais, governadores, presidente.
R$ 30 de cada eleitor.
Ao assistir estes dois fatos – falta de dinheiro para os serviços e dinheiro
sobrando para as eleições, o povo desacredita ainda mais de seus governantes,
sobretudo depois do reconhecimento de um déficit de R$ 159 bilhões este ano.
A oposição também fica desacreditada ao tratar o povo como se ele não
soubesse que este déficit foi provocado sobretudo pela irresponsabilidade de
seu período no governo.
Chega a ser cínica a afirmação de que este custo das eleições é pequeno,
quando sabemos que seria suficiente para enfrentar as dificuldades da nossa
ciência e tecnologia, por exemplo. Também é cinismo dizer que a democracia
exige estes gastos, sem levar em conta que nossas eleições estão entre as
mais caras do mundo; ou ainda ao dizerem que o recurso sairá das emendas de
parlamentares, quando este dinheiro é pago pelo contribuinte e as emendas
dirigidas para atender necessidades da população. Graças ao teto dos gastos,
o povo sabe que o dinheiro é curto e será tomado dele para financiar as
campanhas, caracterizando uma corrupção nas prioridades.
É uma vergonha dizer que este gasto é necessário para fortalecer a
democracia. Não há democracia sem políticos com credibilidade e não há
credibilidade em um Parlamento cujos membros um dia aprovam um
necessário teto de gastos e, no outro, continuam fazendo uma das mais caras
eleições do mundo, sem dar exemplos próprios de austeridade. O Congresso
deveria determinar medidas que reduzam o custo das campanhas e que elas
sejam financiadas pelos filiados e simpatizantes dos partidos e dos
candidatos.
Além dos elevados gastos de campanha, o governo precisa dar exemplos,
acabando com remunerações acima do já elevado teto salarial equivalente a
35 vezes o salário mínimo do trabalhador. Precisa determinar que nenhum de
seus dirigentes acumule salários, como aposentadorias; acabar com
mordomias e subsídios pessoais. São gestos que têm pouco impacto fiscal,
mas um imenso impacto moral.
O Brasil não superará sua crise se seus dirigentes não derem o exemplo. E os
políticos estão na contramão ao apresentar uma proposta de reforma política
que, além de piorar o maldito sistema atual, desvia recursos públicos para
campanha eleitoral.

Pior que o déficit fiscal é o déficit moral. E esta reforma eleitoral está
ampliando essa escassez e comprometendo nossa democracia, no lugar de
fortalecê-la.

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O jargão “Enxada Neles” foi criado por Ademir Santos, apresentador da TV Alterosa/SBT – Sul e Sudoeste de Minas Gerais, idealizador do Portal Enxada Neles. Ademir começou a usar esse jargão na TV como uma forma de desabafo diante das injustiças sociais que apresenta diariamente. A “enxada” representa o valor do trabalho sério e árduo de uma pessoa na busca de suas conquistas, pelo seu esforço e honestidade.Desta forma, de um modo geral e simbólico, é um símbolo do trabalho. A frase caiu no gosto popular e virou a “marca registrada” de Ademir Santos. No Portal Enxada Neles você ficará sempre bem informado sobre as principais notícias do Sul e Sudoeste de Minas Gerais, além do Brasil e do Mundo. Enxada Neles é o seu novo portal de notícias na internet!

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