Intervenção militar

Intervenção militar

Por Antonio Calabria

 

“Eu os identifico a todos. E são muitos deles, os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar.”

Humberto de Alencar Castelo Branco

 

Na frase do primeiro ditador do último ciclo militar que calou a inteligência brasileira por 21 anos, a partir de 1964, uma verdade que vemos nos tempos atuais nos passos de pessoas que certamente não têm grandes informações e vivências daquele regime. Nascido de um movimento liderado por civis descontentes com os rumos do governo democrático que vigia no Brasil, com aliados militares ávidos de poder, a ditadura então implantada disfarçada de intervenção militar para salvar a democracia inaugurou um período trevoso no nosso país. A promessa dos usurpadores era de que a intervenção seria por  um ano, quando o governo seria devolvido aos civis. Não foi o que aconteceu, todos sabem, e eles só voltaram  aos  bivaques 21 anos depois, deixando atrás de si um período negro de nossa história que tanto  mal causou a nossas instituições e que só é elogiado hoje pelos que dele se aproveitaram e pelos que não o conheceram, dele só se informando através de textos e matérias tendenciosas originadas de ideias dos primeiros. Não foi um bom período, disso sabem os mais bem informados, os que sofreram sob os seus tacões, os mortos e os torturados, os Herzogs e Stuarts que pereceram sob seus desígnios. Com o que chamaram de “Brasil Grande”, implantaram obras faraônicos, algumas poucas positivas, muitas mais absolutamente inviáveis e desnecessárias, só executadas com o propósito de auferir lucros indevidos que abarrotaram cofres espúrios e bolsos dos corruptos de sempre. No que tange a democracia, uma pá de cal sobre as conquistas da sociedade que nunca tinha experimentado uma liberdade tal para suas manifestações e atuações legítimas. Uma feroz censura se abateu sobre a inteligência brasileira, a imprensa cerceada em seu direito de informar, as manifestações artísticas em todas as suas vertentes só permitidas após passar por crivos que as deformavam e as transformavam em ferramentas da ditadura para propagar que tudo estava bem, que o país estava em paz e as instituições respeitadas. Enquanto isso, verdadeira revolução civil se processava em boa parte do país, onde homens e mulheres  idealistas lutavam por seus direitos. Verdade reconhecer que nem todos com essa característica, muitos deles oportunistas que viriam a cobrar  caro sua  atuação algumas décadas depois. Mas isso foi uma minoria deformada pela própria máquina militar e seus frutos nefastos colhemos agora. Importante notarmos que a atual falta de homens sérios, éticos e honestos que se prestem a dirigir os nossos destinos é uma consequência direta daquelas forças retrógradas que cercearam as ideias, afastaram os cidadãos honestos da lide política, prenderam, torturaram, mataram, exilaram e não deixaram que novas forças políticas se levantassem, estancaram o nacionalismo que vigia em tempos mais honestos e só permitiram atuação política a seus asseclas. Os poucos legítimos que ficaram envelheceram sem poder mostrar aos mais jovens os caminhos mais retos e como tal mais difíceis, só deixando lugar para os covardes como boa parte dos que estão hoje na política, essa totalmente desmoralizada e aqueles atuando apenas para salvar a própria pele das punições preconizadas pela lei. E infelizmente nessa lide sendo bem sucedidos, arrastando em sua lama as instituições que ainda teimam em resistir a eles. O que se vê é que os poderes constituídos para zelar e promover o bem estar dos cidadãos foram transformados num vergonhoso balcão de negócios por indivíduos desclassificados que  debocham vergonhosamente  do cidadão honesto que ingenuamente colocou essa gente perniciosa na direção  de um país espoliado, esfacelado, espremido e transformado num arremedo de normalidade que só beneficia grupos de ladrões, quadrilheiros e chantagistas que se apossaram da nossa pátria. Essa a herança deixada por aquela ditadura feroz que nos deixou a mercê da insana e irresponsável mão dos nefastos políticos e seus asseclas. Então, para as vivandeiras que voltam aos bivaques para bolir com os granadeiros, deveríamos bradar como um outro cidadão há dois mil anos, esse mais honesto de propósitos do que  aquelas: – “ Apartai-vos de nós, oh! Vós que obrais a iniquidade.”

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