Podridão II

Podridão II

Por Antonio Calabria

A podridão no Rio de Janeiro chegou a um ponto que se não estancar agora não mais se poderá fazê-lo. A imagem
que me vem é a de um boi que teve seu corpo tomado por vermes que se instalaram a partir do depósito em uma
pequena ferida de um berne transportado por uma mosca varejeira. Esse berne dividiu-se e transformou-se em
centenas de outros e tomaram boa parte do organismo do animal. Agora, para livrá-lo desse mal, é necessário um
processo doloroso para extirpar todos os vermes ali instalados. É bem o que se passa no Rio de Janeiro. Difícil é
identificar a mosca varejeira que inoculou o berne que se proliferou. São tantas e todas com a capacidade de
transportar a doença que nem vamos tentar identificar a primeira. Sua proliferação, porém, já deu cria e entre
elas estão identificados três ex-governadores, diversos ex-secretários estaduais, uma primeira dama, toda a
cúpula da Assembleia Legislativa do estado em que se incluem três ex-presidentes e líderes diversos, cinco dos
seis conselheiros do Tribunal de Contas do Estado inclusive seu presidente e outros políticos menos votados mas
não menos perniciosos. Isso quando falamos dos políticos, mas a eles temos que juntar boa parte dos grandes
empresários do estado, os corruptores que se juntaram aos governantes para espoliar até o osso o organismo
debilitado por anos e anos de inoperância e desonestidade, para dizer o mínimo. E nesses anos, a qualidade de
vida do Rio de Janeiro, outrora o símbolo do saber viver do brasileiro com a irreverência, a alegria, a
espontaneidade do carioca nato e outros que adotaram a cidade como sua e ajudaram a transformá-la nesse
símbolo de vida rica e produtiva, onde a tristeza e a maldade não faziam pouso. Mas isso acabou, o carioca hoje
vive às escondidas dos bandidos que se matam na disputa pelo butim que os políticos deixam, onde duas facções
criminosas imperam, de um lado os traficantes e do outro as milícias, todos operando sob as vistas complacentes
e cúmplices da terceira facção, a mais danosa, formada pelos políticos corruptos, canalhas e criminosos que
destruíram a Cidade Maravilhosa. No que é dever do Estado, como saúde e transporte, por exemplo, o caos se
instalou. No transporte público, cujos operadores transformaram no pior valhacouto de decidias e roubos, a
população carente e que depende desse meio para se deslocar está entregue a um dos piores sistemas do país,
sem falar dos preços sempre aumentados aleatoriamente e irregularmente, com seus lucros divididos entre os
empresários e os políticos responsáveis pelo controle dos preços. Dessa maneira, no coletivo viajam lado a lado o
passageiro que paga com sacrifício sua passagem e a sujeira, as baratas e o desconforto absoluto, sem falar na
falta de segurança representada pela precariedade dos veículos. Outra sofrida vítima do descalabro é a saúde
pública sucateada e falida, com os hospitais públicos entregues ao descaso das autoridades, apesar do heroísmo
de seus funcionários onde médicos e pessoal de administração e enfermagem abnegados dão literalmente seu
sangue para aliviar um pouco o sofrimento dos pacientes carentes que não têm a que ou a quem recorrer.
Enquanto isso, o funcionalismo público da capital fluminense pena para viver com seus pagamentos atrasados há
meses, muitas vezes tendo que se socorrer com a solidariedade de vizinhos e amigos para satisfazer suas
necessidades básicas de sobrevivência. Tudo isso consequência dos bilhões e bilhões de reais roubados por essa
quadrilha de que boa parte está hoje na cadeia. E ainda tudo isso feito sob as vistas grossas, impudentes,
cúmplices e criminosas do Governo Federal e das instituições judiciais. Por fim, começa a acender-se uma tímida
luz na escuridão implantada pelos bandidos, muitos dos quais já amargando a privação da liberdade e
condenados a longas penas. Espera-se que essa disposição de alguns abnegados juízes, policiais e promotores,
agindo contra os interesses oficiais da sordidez dos políticos insaciáveis dê continuidade à correção e punição
exemplar dos bandidos que levaram o Rio de Janeiro à beira do abismo, perigosamente balançando nessas
bordas. E que a capital volte a ser a Cidade Maravilhosa, extirpando de seu seio os vermes que a infestaram.

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O jargão “Enxada Neles” foi criado por Ademir Santos, apresentador da TV Alterosa/SBT – Sul e Sudoeste de Minas Gerais, idealizador do Portal Enxada Neles. Ademir começou a usar esse jargão na TV como uma forma de desabafo diante das injustiças sociais que apresenta diariamente. A “enxada” representa o valor do trabalho sério e árduo de uma pessoa na busca de suas conquistas, pelo seu esforço e honestidade.Desta forma, de um modo geral e simbólico, é um símbolo do trabalho. A frase caiu no gosto popular e virou a “marca registrada” de Ademir Santos. No Portal Enxada Neles você ficará sempre bem informado sobre as principais notícias do Sul e Sudoeste de Minas Gerais, além do Brasil e do Mundo. Enxada Neles é o seu novo portal de notícias na internet!

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