Pra ver a banda passar

Pra ver a banda passar

Por Joana Calabria

Cedo hoje esse espaço para minha filha Joana Calabria com um texto que é pura poesia, honrando a
tradição mineira e descrevendo um acontecimento numa cidade histórica de Minas Gerais, onde muitas
poesias foram produzidas. Joana, acredito até que sem saber, produz um texto que lembra o lirismo
do inconfidente-poeta Thomaz Antonio Gonzaga, o Dirceu de Marília, que viveu e poetou naquelas
plagas em tempos idos.
Antonio Calabria
“Desta vez vou mudar um pouco o jeito de conduzir a história, falarei sim das minhas emoções e
relatarei, como de costume, mais uma aventura com a Blitz. Porém darei um enfoque maior para as
coisas que eu presenciei olhando pra platéia e pra cidade de Ouro Preto, sede do meu vigésimo
segundo show. E, também diferente das outras vezes, não seguirei necessariamente uma ordem…
O show começou um pouco depois das 23h, o frio gelava nosso corpo enquanto a Blitz aquecia nossa
alma. As tentativas de tirar os casacos foram grandes, por todos, mas poucos conseguiram. Uma noite
bonita, numa praça cheia de pessoas transformadas.
Certa vez, um poeta contou uma história onde uma banda passava por sua cidade e tudo se
transformava: a rosa que vivia fechada se abria, a moça triste que vivia calada sorria. Uma cidade toda
se enfeitava pra ver a banda passar…
Ontem, quando subi no palco e olhei pra frente, pra cara de cada um que estava lá assistindo junto
comigo a Blitz em cena, eu entendi o que Chico Buarque queria dizer com essa canção, “A Banda”. Eu
realmente entrei com tudo na letra da música e ia lembrando cada verso, cada transformação e
identificando os “personagens” que ali estavam. O velho fraco que se esqueceu do cansaço estava lá,
achando que era moço e dançando todas! Havia também a moça feia, que ao invés de debruçar na
janela, pendurava-se na grade e passava batom olhando pro Evandro, acreditando piamente que a
banda tocava pra ela. A meninada toda se assanhou pra ver a banda, não ligando para o frio ou para a
hora. É, uma cidade toda se enfeitou, pra ver a Blitz passar, cantando coisas de amor…
Ao caminhar por Ouro Preto à tarde, depois de ter almoçado, comecei a conhecer um outro lado,
diferente das aulas de História ou excursões de colégio para essas cidades históricas, fiquei vendo um
lado festeiro, uma cidade alegre, já entrando no clima esperando a banda passar. Ao mesmo tempo, em
outro canto, vi uma cidade calma, com poucas pessoas nas ruas. Talvez porque o faroleiro estivesse
contando vantagens, o homem sério contando dinheiro, a namorada contando as estrelas…
Olhando para trás, para cada momento vivido com essa banda, vejo como a minha vida se enfeitou e
enfeita para vê-los passar. Vejo como Chico Buarque previa o futuro quando escreveu essa música,
bem antes da Blitz surgir.
Depois de uma perseguição bastante emocionante na estrada, em que minha tia e minha mãe me
levavam para conseguir pegar uma carona no ônibus dos astros, que passariam na porta de Juiz de Fora
para chegar à cidade do show, vivenciei mais uma história linda de uma fã louca que nunca mais será a
mesma, depois que a banda passou pela sua vida!
Pesquisando alguns significados, descobri que “Joana significa graça divina e indica uma pessoa que
só amadurece depois de muito lutar pelo equilíbrio entre a razão e o coração. Chega a ser vista como
alguém que não sabe o que quer, mas quando se decide entra de corpo e alma na conquista dos seus
ideais.”.
Nem preciso dizer que já me decidi e muito menos quem me ajudou nesse ofício. Numa noite em que eu
consegui parar de ouvir por alguns instantes as músicas da Blitz, que são constantes na minha vida, para
poder entrar de corpo e alma na letra da música de Chico e ver quantas transformações estavam ocorrendo
naquele momento, quantas pessoas diferentes se divertindo juntas, quantos sorrisos sinceros, nem me dei
conta que a mais transformada ali era eu! Obrigada!”

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O jargão “Enxada Neles” foi criado por Ademir Santos, apresentador da TV Alterosa/SBT – Sul e Sudoeste de Minas Gerais, idealizador do Portal Enxada Neles. Ademir começou a usar esse jargão na TV como uma forma de desabafo diante das injustiças sociais que apresenta diariamente. A “enxada” representa o valor do trabalho sério e árduo de uma pessoa na busca de suas conquistas, pelo seu esforço e honestidade.Desta forma, de um modo geral e simbólico, é um símbolo do trabalho. A frase caiu no gosto popular e virou a “marca registrada” de Ademir Santos. No Portal Enxada Neles você ficará sempre bem informado sobre as principais notícias do Sul e Sudoeste de Minas Gerais, além do Brasil e do Mundo. Enxada Neles é o seu novo portal de notícias na internet!

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