Precisamos desarmar os espíritos

Precisamos desarmar os espíritos

Antonio Calabria

 

O Brasil tem passado por situações bastante dramáticas nos últimos meses, culminando com o
impeachment da Presidente da República Dilma Roussef tornado definitivo nos últimos dias de agosto do
ano passado.
Discussões apaixonadas, embates verbais e de retóricas fortes, o Senado da República transformado em
palanque para expor amores e ódios em sessões transmitidas ao vivo e a cores por emissoras de TV e
rádio, despertando paixões nos brasileiros que se acostumaram a acompanhar os debates políticos. Nas
redes sociais, razões e argumentos gerando desentendimentos entre militantes e palpiteiros de todas as
vertentes do pensamento político e social.
Amigos tornando-se inimigos ao se deixar levar pelas opiniões muitas vezes radicais, misturando ideias
com pensamentos, distorcendo muitas vezes informações não muito claras de órgão da mídia, muitos
deles também tentando dirigir condutas e discursos.
Ao fim, concretizado o impeachment, a presidente Dilma Roussef é apeada em definitivo do cargo que
ocupava e assume em seu lugar o vice, eleito com ela na mesma chapa, o paulista Michel Temer.
Importante notar que todo o processo transcorreu, apesar das paixões, no cumprimento estrito dos
ditames da Constituição, traçados e acompanhados passo a passo pelo Superior Tribunal Federal,
guardião maior daquela Carta, desobedecendo-a num ponto ao final, mas já superado. Assim se deu
também com a substituição quando a Constituição determina que assuma o vice.
Temer não é um político popular, seu forte não é o palanque, sua atuação mais forte se dá nos gabinetes,
nas articulações políticas, nas negociações parlamentares.
Essa é a atuação que se esperava dele, manobrar e aprovar as medidas necessárias para as reformas
política e econômica. Isso é fundamental para recuperar a normalidade institucional e econômica.
Mas o que se viu foi uma fase de denúncias, barganhas e acusações escabrosas sobre o presidente
Temer e seus auxiliares, alguns já afastados e outros presos, vários ainda no comando da máquina
pública apesar de réus em inquéritos e investigações, mas as acusações graves sobre Temer foram
jogadas para as calendas graças a trocas, compras descaradas de parlamentares, mostrando as
entranhas de um governo e governantes corruptos e irresponsáveis, inteiramente divorciados do povo que
os elegeu e deles esperava seriedade e dedicação à causa pública.
O Brasil não aguenta mais debates em torno de Governo, recuos nas decisões definitivas nas mudanças
de direção. Se isso continuar, o país sucumbe.
É hora de desarmar os espíritos, dar uma trégua nas disputas políticas e partidárias e pensar no Brasil. É
hora de chamar esses políticos que só pensam em si e nos seus grupos, desprezando o Estado e sua
população. Precisam deixar o governo governar, esquecer por um momento as barganhas, sermos todos
responsáveis e perceber o fundo do poço em que estamos.
Nossos governantes no momento não são os melhores, pelo contrário, são os piores possíveis, mas é o
que nós temos. Então, vamos todos dar uma trégua a eles e nos conciliarmos pelo bem do Estado com o
Governo possível que infelizmente aí está. As discussões em torno de eleições diretas são estéreis, os
candidatos seriam os mesmos, nenhuma cara nova se apresenta e se se apresentar – o que é muito
difícil, não há tempo hábil. Os radicalismos com protestos, vandalismos, brigas e discussões sobre ideias
nem sempre positivas são prejudiciais ao país. Sejamos conscientes que só em acordo podemos chegar
a algum lugar. Se não há cão, vamos caçar com gatos. E se não há gatos, cacemos com os ratos que aí
estão. Quem sabe conseguimos domesticá-los e em breve colocá-los no limbo que merecem?

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O jargão “Enxada Neles” foi criado por Ademir Santos, apresentador da TV Alterosa/SBT – Sul e Sudoeste de Minas Gerais, idealizador do Portal Enxada Neles. Ademir começou a usar esse jargão na TV como uma forma de desabafo diante das injustiças sociais que apresenta diariamente. A “enxada” representa o valor do trabalho sério e árduo de uma pessoa na busca de suas conquistas, pelo seu esforço e honestidade.Desta forma, de um modo geral e simbólico, é um símbolo do trabalho. A frase caiu no gosto popular e virou a “marca registrada” de Ademir Santos. No Portal Enxada Neles você ficará sempre bem informado sobre as principais notícias do Sul e Sudoeste de Minas Gerais, além do Brasil e do Mundo. Enxada Neles é o seu novo portal de notícias na internet!

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